Mapeamento inédito no Brasil registra e dá visibilidade a 50 mulheres negras da cultura popular mineira
por Jhobert Rodrigues

Voz & Corpo mapeia e dá visibilidade a 50 mulheres negras da música e da dança em Minas Gerais
A cultura popular mineira acaba de ganhar um importante instrumento de memória, pesquisa e valorização cultural. O projeto Voz & Corpo – A Mulher Negra na Cultura Popular Mineira concluiu um amplo processo de mapeamento, registro e difusão de trajetórias de mulheres negras atuantes na música e na dança em diferentes regiões do estado, reunindo histórias, experiências, fotografias e informações que agora passam a integrar um acervo digital permanente.
Realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB Minas Gerais), o projeto nasceu da necessidade de ampliar a visibilidade das mulheres negras que constroem diariamente a cultura popular mineira, mas que muitas vezes permanecem ausentes dos registros oficiais, dos espaços de reconhecimento e das políticas de memória.
Idealizado e coordenado pela produtora cultural e bailarina profissional Tati Mucci, o Voz & Corpo se consolidou como uma iniciativa inovadora ao reunir dados, trajetórias e experiências de artistas de diferentes gerações e territórios, criando um dos mais abrangentes levantamentos já realizados sobre a presença feminina negra na cultura popular de Minas Gerais.

Um retrato da diversidade cultural mineira
Ao longo de sua execução, o projeto recebeu inscrições de diversas regiões do estado, revelando a riqueza e a pluralidade das manifestações culturais presentes em Minas Gerais.
O mapeamento alcançou mulheres do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, Região Metropolitana de Belo Horizonte, Zona da Mata, Norte de Minas, Vale do Rio Doce, Sul de Minas, Centro-Oeste, Campos das Vertentes e outros territórios mineiros.
Entre as participantes estavam sambistas, congadeiras, jongueiras, passistas, rappers, instrumentistas, compositoras, educadoras, produtoras culturais, pesquisadoras, lideranças comunitárias, mestres da cultura popular, dançarinas afro, artistas das culturas urbanas, representantes quilombolas e mulheres ligadas a diferentes tradições afro-brasileiras.
As inscrições evidenciaram a presença de manifestações culturais como samba, choro, pagode, MPB, rap, batuque afro-mineiro, jongo, capoeira, congado, folia de reis, maracatu, coco, dança afro, forró, frevo, hip hop, breaking, danças urbanas, danças tradicionais e expressões ligadas às culturas quilombolas e de matriz africana.
Ao final do processo curatorial, foram selecionadas 50 artistas em destaque, sendo 25 musicistas e 25 bailarinas, escolhidas por suas trajetórias, relevância cultural, atuação comunitária e contribuição para a preservação e fortalecimento da cultura popular mineira.
O resultado revelou uma impressionante diversidade de experiências, reunindo artistas iniciantes e veteranas, educadoras, pesquisadoras, produtoras culturais, líderes comunitárias e referências culturais que atuam diariamente na construção da memória e da identidade de seus territórios.

Um acervo digital permanente para preservar memórias
Um dos principais legados do Voz & Corpo é a criação de um acervo digital dedicado às mulheres negras da cultura popular mineira.
O portal reúne os perfis das artistas selecionadas, fotografias, informações biográficas, áreas de atuação, redes sociais e registros de suas trajetórias, constituindo uma importante fonte de consulta para pesquisadores, produtores culturais, gestores públicos, instituições e para a sociedade em geral.
🔗 Portal do projeto: https://www.vozecorpo.com.br/
Além do catálogo digital, o projeto disponibilizou um mapa interativo, permitindo visualizar a distribuição geográfica das artistas participantes e evidenciando a presença da cultura popular negra em diferentes regiões do estado.
A ferramenta permite compreender como os saberes, as tradições e as expressões artísticas circulam pelos territórios mineiros, fortalecendo o reconhecimento da diversidade cultural existente em Minas Gerais.
🗺️ Mapa interativo: https://www.google.com/maps/d/u/0/viewer?mid=1hsvrBGKWlrDHSchrqHf84L8tvEh8hdM&femb=1
As ações também foram amplamente divulgadas por meio das redes sociais oficiais do projeto, ampliando o alcance das histórias registradas e fortalecendo a conexão entre artistas, comunidades e público.
📲 Instagram: @vozecorpo | https://www.instagram.com/vozecorpo/
Acessibilidade, comunicação e inclusão
Desde sua concepção, o Voz & Corpo buscou garantir que suas ações fossem acessíveis a diferentes públicos, compreendendo a acessibilidade como um direito cultural e uma ferramenta fundamental para ampliar o acesso à informação e à participação social.
Ao longo da execução, o projeto contou com recursos de acessibilidade em Libras, audiodescrição, legendas em vídeos, textos descritivos para imagens, utilização de fontes acessíveis e produção de conteúdos voltados à comunidade surda.
Entre essas ações destaca-se a produção de um vídeo-convite em Libras, que apresentou ao público os objetivos do projeto e convidou a população a conhecer o acervo digital, o mapa interativo e as artistas participantes.
🎥 Vídeo-convite em Libras: https://www.instagram.com/p/DZOIBNuRdm0/

As ações de acessibilidade, comunicação e produção audiovisual foram conduzidas por Jhobert Rodrigues, tradutor-intérprete de Libras, audiodescritor, produtor cultural, comunicador social e músico multi-instrumentista.
No projeto, atuou como responsável pelas mídias sociais, produções audiovisuais, estratégias de acessibilidade e comunicação institucional, integrando o eixo de Diversidade, Equidade e Inclusão. Sua atuação contribuiu para a construção de uma comunicação acessível, representativa e comprometida com a democratização do acesso à cultura.
Mais do que atender requisitos técnicos, a acessibilidade foi incorporada como um princípio transversal do Voz & Corpo, reafirmando o compromisso da iniciativa com a diversidade, a equidade, a inclusão e a democratização do acesso à cultura.
Contrapartida promove diálogo sobre cultura, ancestralidade e protagonismo feminino
Como ação de contrapartida, o projeto realizou uma roda de conversa aberta ao público na Fundação Cultural Calmon Barreto, em Araxá/MG.
O encontro reuniu artistas, gestores culturais, agentes públicos, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil para debater temas como cultura popular, ancestralidade, acessibilidade, políticas culturais e o protagonismo das mulheres negras na construção da identidade cultural mineira.
Participaram da atividade:
- Tati Mucci, produtora cultural, bailarina profissional e idealizadora do projeto;
- Jhobert Rodrigues, responsável pelas ações de acessibilidade e comunicação;
- Madalena Ávila de Aguiar, presidente da Fundação Cultural Calmon Barreto;
- Janaína Silva, musicista selecionada pelo projeto;
- Jooh Bombom, bailarina selecionada pelo projeto;
- NegaMa (Marlene Apolinário), liderança cultural, educadora e representante das tradições afro-brasileiras em Araxá.
A atividade também contou com a participação do público, que compartilhou reflexões sobre memória, pertencimento, políticas culturais e o fortalecimento das mulheres negras nos espaços de produção artística.

Vozes do Voz & Corpo
Mais do que reunir dados e trajetórias, o Voz & Corpo possibilitou encontros, trocas de experiências e reflexões sobre o papel das mulheres negras na cultura popular mineira.
Para NegaMa (Marlene Apolinário), educadora, dançarina e liderança cultural de Araxá, participar do projeto foi motivo de orgulho e responsabilidade. Segundo ela, a iniciativa revelou a força das mulheres negras que constroem diariamente a cultura popular em Minas Gerais e demonstrou a necessidade de ampliar os laços, a união e a visibilidade entre essas artistas.

A musicista Janaína Silva, representante de Araxá entre as artistas selecionadas, destacou o significado de representar sua cidade em uma iniciativa de alcance estadual. Cantora, flautista, percussionista, professora de música e jornalista, ela ressaltou a importância da representatividade e do reconhecimento das mulheres negras que atuam na música popular.

No segmento da dança, Jooh Bombom relacionou sua participação no projeto à memória e à ancestralidade familiar. Para a artista, fazer parte do Voz & Corpo significa honrar esse legado e fortalecer a presença das mulheres negras nos espaços de protagonismo cultural.

A gestora cultural Wanêssa Borges, que integrou a equipe do projeto como auxiliar de coordenação, ressaltou a necessidade de ampliar os espaços de visibilidade para as mulheres negras na cultura. Em sua avaliação, iniciativas como o Voz & Corpo contribuem para oferecer mais voz, reconhecimento e protagonismo às artistas que ajudam a construir a identidade cultural mineira.

A participante Lígia Lakal, presente na roda de conversa, comparou o projeto a uma semente plantada para o futuro. Para ela, a criação de um acervo capaz de reunir e divulgar as trajetórias de mulheres negras da cultura popular representa um importante legado para Minas Gerais e para as futuras gerações.

Idealizadora e coordenadora geral do projeto, Tati Mucci destacou que o Voz & Corpo nasceu de sua vivência na dança e da percepção da necessidade de ampliar a visibilidade das mulheres negras que atuam na música e na dança. Segundo ela, a iniciativa surgiu do desejo de criar uma ferramenta capaz de registrar, reconhecer e valorizar trajetórias que frequentemente permanecem invisibilizadas.

Um legado para a cultura popular mineira
Mais do que um levantamento de dados, o Voz & Corpo constitui um importante registro histórico da presença, da atuação e da contribuição das mulheres negras para a cultura popular mineira.
Ao reunir histórias, imagens, memórias e trajetórias de artistas de diferentes regiões do estado, o projeto contribui para ampliar o reconhecimento dessas mulheres, fortalecer redes culturais e preservar conhecimentos que continuam moldando a identidade cultural de Minas Gerais.
O acervo permanece disponível ao público como uma ferramenta permanente de pesquisa, consulta, inspiração e valorização da produção cultural feminina negra.
O Voz & Corpo encerra seu ciclo de execução deixando um legado de memória, visibilidade e reconhecimento, mas também apontando para novos caminhos. As histórias reunidas pelo projeto demonstram que ainda há muito a ser registrado, fortalecido e celebrado na trajetória das mulheres negras que fazem da música, da dança e da cultura popular instrumentos de resistência, pertencimento e transformação social.
🔗 Portal: https://www.vozecorpo.com.br/
📲 Instagram: @vozecorpo
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